De uns anos para cá o mundo vem passado por uma revolução tecnológica, que até mesmo o mais otimistas das pessoas não teriam imaginado. Estamos vendo, a cada dia, o poder da Inteligência Artificial e que não demorará  para que está tecnologia mude a forma com que vemos o mundo.

Para entendermos melhor esta revolução, precisamos voltar em 1950, quando Allan Turing publicou seu artigo chamado Computing Machinery and Intelligence onde ele propõe o Jogo da Imitação.

No exemplo original, um jogador humano entra em uma conversa, em linguagem natural, com outro humano e uma máquina projetada para produzir respostas indistinguíveis de outro ser humano. Todos os participantes estão separados um dos outros. Se o juiz não for capaz de distinguir com segurança a máquina do humano, diz-se que a máquina passou no teste. O teste não verifica a capacidade de dar respostas corretas para as perguntas; mas sim o quão próximas as respostas são das respostas dados por um ser humano típico.

Sabemos que para enganar um humano, não é necessário muito. Joseph Weizenbaum ao escrever ELIZA percebeu isso. Um dos scripts do ELIZA era o Doctor que tinha como premissa tirar sarro dos psicoterapeutas, ao responder com perguntas vagas as perguntas do próprio participante.  

Joseph descobriu que algumas pessoas ao usar o Doctor se sentiam melhores, inclusive pedindo para conversar as sós com o programa e saiam sentindo-se melhores, como se estivessem tido uma experiência real. Está situação deixou Joseph tão assustado que ele abandonou o projeto e a inteligência artificial e tornou-se um ativista.

Basicamente, o que Joseph descobriu é que não precisamos de muito para nos convencermos que algo possui consciência ou age com intenção. O ser humano está sempre antropomorfizando objetos.  Os humanos, ao antropomorfizar objetos passa a acreditar na consciência destes. 

A Inteligência Artificial que temos, ainda é considerada um inteligência artificial fraca, pois se aplicam para ações simplistas e não para um propósito geral. Estes algoritmos, só precisam ser melhores em tarefas específicas. Já a Inteligência Artificial forte, seria capaz de aprender todo tipo de assunto, não somente classificar a informação, mas produzir informação nova, algo próximo do pensamento.

Se a Inteligência Artificial Forte, puder produzir novas ideias e responder o Teste de Turing passando-se por um humano. Como poderemos ter certeza de que ela não tem consciência? Ou se é apenas um fantasma na máquina?

Nós não nos perguntamos para cada um que conhecemos, existe, realmente, uma consciência ou inteligência por trás. Simplesmente, acreditamos que sim e agimos de acordo. Provavelmente, faríamos o mesmo com as máquinas.

Afinal, como podemos ter certeza de que todos possuem pensamentos reais, ou apenas fingem ter? E que você é o único com sentimentos.

Quem, realmente, garante que os sentimentos que sentimos são realmente reais, e não somente é um sentimento programado?

Jonh Searle afirma que máquinas, não teriam consciência. E para isso, ele aplica o exercício mental da Sala Chinesa ou Quarto Chinês.

No exercício mental da Sala Chinesa, dentro da sala uma pessoa que não fala chinês, possui um catálogo completo com todas as palavras, perguntas e respostas. Tudo que precisa para responder as perguntas vindas de fora.

Uma pessoa, de fora, passa a pergunta por debaixo da porta, enquanto a pessoa, de dentro da sala, precisa lhe retornar a resposta. Pra quem faz a pergunta acredita que a sala sabe tudo de chinês, embora que está lá dentro não entenda nada. 

Segundo Searle, máquinas podem responder perguntas que fazemos, de modo que, alguém de fora acredite que elas possuam consciência. Quando na verdade não existe um processo interno consciente. Para Searle, pelo fato do cérebro ser construído por material biológico é parte do que gera nossa consciência e sem isso uma consciência de verdade não existiria.

Mas quem disse, por temos cérebros biológicos nós realmente temos alma ou consciência.